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CARACTERIZAÇÃO DOS ESTILOS DE VINHO PORTUGUESES

Vinho Verde

Neste ponto descrevo a história dos três estilos de vinhos portugueses que são únicos no mundo. Começo pelo Vinho Verde, um estilo de vinho que, infelizmente começa a aliar a sua singularidade histórica ao “trend” comercial existente em alguns mercados, perdendo assim a sua verdadeira identidade.

A região dos Vinhos Verdes - Figura nº 23 - é uma das regiões mais antigas de Portugal e do Mundo. Os primeiros registos da sua existência como região produtora de vinhos datam do século XII, quando o cultivo cabia às ordens religiosas. Nesta altura as condições socioeconómicas eram bastante diferentes das que vivemos hoje, contudo, a importância das relações internacionais que esta região possuía, e as condições geográficas que apresentava, com por exemplo um importante porto comercial, o Porto de Viana do Castelo, fez com que fossem aqui registadas as primeiras exportações de vinhos de Portugal para a Europa. Países como a Inglaterra, Flandres e Alemanha foram os destinos mais conhecidos destes vinhos.

A região é delimitada geograficamente em 1908 e só em 1949 a OIV reconhece a denominação de origem Vinho Verde, localizada a norte de Portugal e a nordeste de Espanha, com as fronteiras naturais do rio Minho a norte e a região Montanhosa a sul.

A região dos Vinhos Verdes tem uma área total de cerca de 35 000 mil hectares, 31 625 produtores, e as castas brancas mais plantadas são o Loureiro, Alvarinho, Arinto, Trajadura, Azal-Branco, Avesso e Batoca. Nas castas tintas encontra-se o Vinhão, Borraçal, Amaral, Brancelho, Espadeiro, Rabo de Ovelha, Padeiro de Basto e Pedral.

Os solos são de origem granítica, com algumas exceções de ardósia (também chamadalousaouxisto). O clima é marcado por uma grande humidade relativa. Durante o inverno e primavera existe uma forte concentração de chuvas e a pluviosidade anual ronda os 1500 mm. A temperatura ao longo do ano evolui de uma forma gradual, embora os invernos se apresentem frios e os verões um pouco quentes e secos. Graças a estas condições climáticas, o solo de origem granítica, foi evoluindo e hoje apresenta uma elevada fertilidade, o que contribuiu para a evolução do cultivo da vinha nesta região.

A região de Vinhos Verdes (Figura nº 23) divide-se em nove sub-regiões (um bom exemplo de valorização do seu Terroir): Amarante, Ave, Baião, Basto, Cávado, Lima, Monção e Melgaço, Paiva e Sousa, perfazendo um total de 100 000 parcelas de vinhas. Tal facto permite-nos perceber o porquê de este ser um vinho tão distintivo, onde é possível identificar os pés de vinhas e as diferentes castas que deram origem a cada uma das garrafas produzidas. Nestas pequenas parcelas onde se cultiva a vinha ainda hoje se mantém a tradição de pequenas produções agrícolas onde as vinhas são plantadas nos limites das propriedades, demarcando as mesmas.

A cultura da vinha no Minho possui características únicas, das quais salientaria, como diferenciadora, o sistema de condução da vinha, onde os pés de vinha chegam a ostentar vários metros de altura e têm uma superfície foliar bastante fora do normal. A plantação das mesmas vinhas é também feita em “bordadura” no limite das pequenas frações de terra de cada agricultor, e onde a agricultura de subsistência se pratica. A alteração do tipo de condução da vinha tem sido feita de modo a tornar esta região mais produtiva, conduzindo-a a um melhoramento dos seus vinhos.

Em termos de degustação, as características mais presentes nos Vinhos Verdes são: a sua boa vivacidade em boca, com uma forte expressão de acidez natural e mineralidade. A nível olfativo, o bouquet varia entre as frutas de verão mais maduras ou as mais frescas, conforme o Terroir.

Esta região é gerida pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) que tem como função o seu desenvolvimento, gerindo o património de castas e protegendo o interesse profissional e comercial da região.

A título de nota, gostaria de referir que este é o estilo de vinho que se me apresenta com mais exequibilidade em termos comerciais, dada a sua já elevada experiência nos mercados internacionais. Na minha opinião, existem mercados que deveriam incluir estes vinhos nas suas referências, dado o seu baixo grau de álcool e perfil aromático, largamente procurado por alguns trends de mercados. A valorização desta região afigura-se como um desafio comercial. É importante valorizar junto do consumidor o valor intrínseco da região, com longos séculos de história, e apresentar os produtos que melhor respondem às necessidades dos seus mercados. A tendência para a industrialização deste estilo de vinho poderá ser vantajosa a nível de volume de vendas, contudo, entendo ser errado apostar na quantidade em prol da expressão dos diferentes Terroir’s aqui presentes.

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