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CARACTERIZAÇÃO DOS ESTILOS DE VINHO PORTUGUESES

Vinho do Porto

Outro estilo de vinho único, igualmente apreciado em todo o mundo, é o Vinho do Porto. A história deste vinho está intimamente ligada à história e cultura portuguesa. O Vinho do Porto é produzido na Região Demarcada do Douro (Figura nº 8), localizada nas encostas do rio Douro, a norte de Portugal. A sua beleza paisagística advém de séculos e revela-se nos socalcos das montanhas, onde se encontram vinhas de difícil acesso, viticultura heroica. É uma região que prima por fatores muito particulares e que a tornam uma das mais belas do mundo.

O Vinho do Porto é um estilo de vinho marcado pelo processo de fortificação do produto com aguardente vínica de 77% de álcool. Esta operação é feita numa fase inicial da fermentação alcoólica de modo a parar a mesma e guardar o restante teor de açúcar natural. Este vinho é produzido na Região Demarcada do Douro e armazenado na cidade de Vila Nova de Gaia, tradicionalmente.

A Região Demarcada do Douro e o Vinho do Porto têm a sua história ligada à primeira aliança mundial criada entre dois países, Portugal e Inglaterra. Uma aliança de 1373 que incentivou o comércio entre os dois países e a produção e comercialização de vinho produzido no Douro.

Da colaboração de dois povos e do comércio livre de vinhos do Douro, que partiam do Porto para todo o norte europeu, mas em especial para Inglaterra, nasceu a prática de adição de aguardente ou brandy (termo inglês) aos vinhos do Douro, como forma de preservar as suas características e potencializar a sua comercialização em boas condições para o norte da Europa.

Não existem provas de quem primeiro utilizou esta técnica, mas sabe tratar-se de uma prática da época dos Descobrimentos Portugueses.

Após a assinatura do tratado de Windsor, em 1720, dá-se início à prática de adicionar aguardente ao vinho vindo do Douro, começando-se a exportar para o norte da Europa. Registos desta altura demonstram que no primeiro manual de viticultura existia a regra de adicionar 3 galões (medida Inglesa) ou 13,5 litros (medida internacional) de aguardente nas pipas com 550 litros de capacidade.

Nesta altura os vinhos do Douro eram transportados nos tradicionais barcos Rabelo, construídos para o transporte de mercadorias. As pipas de Vinho do Porto foram fabricadas de forma a garantir que o transporte, das quintas produtoras de vinho, (Figura nº 24), até ao porto de Vila Nova de Gaia ou cidade do Porto, fosse o mais estável possível. Apresentavam por isso uma configuração mais alongada e uma maior capacidade.

O grande marco histórico da região aconteceu entre 1755 e 1761, com a instituição da Fundação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, a 10 de Setembro de 1756, e com a criação da primeira região demarcada do mundo. Durante estes anos foram colocados, a mando do rei Marquês de Pombal, 201 marcos de pedra com a designação Feitoria (Figura nº 25) de modo a delimitar a região. Os primeiros registos de vinhos com a denominação de Vinho do Porto datam de 1760.

A Região Demarcada do Douro tem 250 mil hectares de área total, dividida em três sub-regiões: Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior (Figura nº 8). A geologia da região é caracterizada por solos de xisto grauváquico e em alguns locais de origem granítica. Estes solos foram durante séculos trabalhados pela ação humana por forma a criar uma base de plantação de vinha e outras culturas nas formações de maciços rochosos. O macro clima da região é bastante influenciado pelas cadeias montanhosas do Marão e Montemuro, que funcionam como uma barreira natural aos ventos húmidos provenientes de oeste. Os invernos são muito frios e rigorosos e os verões bastante quentes. A pluviosidade é também um fator que varia bastante dada a complexidade geográfica da região. Os valores mais altos de pluviosidade oscilam entre os 1200 milímetros e os 380 milímetros anuais, em pontos distintos da mesma região. Um dos agentes mais importantes para o cultivo da vinha é a exposição solar. O facto de esta ser uma região montanhosa, faz com que o período de visibilidade do Solvarie bastante de parcela para parcela.

A comprovar mais um esforço de controlo de qualidade, foi criado um sistema de avaliação da qualidade das parcelas de vinha, ainda mais rigoroso que os Clos da Borgonha, com um sistema de pontuação que integra a localização, o declive, a altitude, a rocha mãe, a exposição solar, os elementos grosseiros, o abrigo, as operações culturais, o rendimento, o encepamento, a densidade de plantação, o sistema de plantação e a idade da vinhas.

Este conjunto de fatores, devidamente avaliados e qualificados numericamente, dão origem a 6 qualificações (Quadro nº 4) diferentes, representando a letra A, a melhor classificação, sucedendo-se a B, C, D, E e F, com esta última a representar a qualificação mais baixa da escala.

Este é um sistema único no mundo e avalia, em valor numerário, a seleção qualitativa e quantitativa de cada parcela. É sem dúvida um método que contribui para a definição da qualidade dos vinhos produzidos na região

As vinhas que dão origem ao Vinho do Porto, na sua maioria, estão plantadas em socalcos construídos nas encostas das montanhas da região do Alto Douro, de difícil acesso e onde o grau de inclinação é um fator que condiciona os trabalhos de viticultura. As castas utilizadas para a elaboração do Vinho do Porto são castas autóctones Portuguesas. As mais conhecidas são a Tinta Amarela, Touriga Francesa, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinto Cão, nos vinhos tintos, e, nos vinhos do Porto Branco, a Malvasia Fina, Gouveio, Viosinho e Donzelinho, existindo também muitas outras castas mas com menor área plantada.

O Vinho do Porto pode ser dividido em quatro grandes categorias ou famílias: Ruby, Tawny, Branco e Rosé (Quadro nº 5).

O família dos Ruby’s é caracterizada por vinhos onde se procura manter a cor tinta, o aroma frutado e o vigor dos vinhos jovens. Dentro desta família existem as categorias de Ruby, Reserva, Late Bottled Vintage (LBV) e Vintage. Os vinhos qualificados de LBV e Vintage são vinhos que tem potêncial para envelhecer longos anos sem uma data limite dado o seu grande potencial de guarda.

A família dos Tawny´s é caraterizada pela associação de diferentes vinhos em diferentes graus de maturação, envelhecido em um meio oxidativo, em toneis ou pipas. Estes vinhos apresentam uma evolução na sua cor, sendo enquadrados nas subclasses de cor tinto-alourado, alourado e alourado-claro. O bouquet aromático desta família é bastante marcado pelos frutos secos e notas de madeira, características estas acentuadas em função da antiguidade do vinho. As categorias dentro desta família são Tawny, Tawny Reserva, Tawny com Indicação de Idade (10 anos, 20 anos, 30 anos e 40 anos, resultado do blend de diferentes vinhos de diferentes) e Colheita (sendo proveniente apenas de um ano de colheita). Os Tawny’s são vinhos que resultam da associação de diferentes lotes de diferentes anos de colheita, com a exceção dos Tawny’s Colheita. A família dos Brancos apresenta-se em diversos estilos, nomeadamente associados a períodos de envelhecimento de maior ou menor duração e diferentes graus de concentração de açúcares, resultado do seu processo de elaboração. Nesta família de vinhos é característico o bouquet floral no olfato e um complexo teor alcoólico no palato.

A família dos Rosés é obtida por uma curta maceração das uvas tintas e vinificação com vinho branco. Não se promovem fenómenos oxidativos neste estilo de vinho para preservar a sua cor. Esta família de vinhos é caraterizada por notas muito suaves e ligeiras de cereja, framboesa e morango.

O Vinho do Porto é o vinho Português mais conhecido no mundo e também o que mais se tenta reproduzir ou copiar. O que aqui importa salientar é a necessária verificação da autenticidade, para que a cópia não desvalorize o produto e induza o consumidor em erro.

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