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CARACTERIZAÇÃO DOS ESTILOS DE VINHO PORTUGUESES

Vinho Madeira

O terceiro estilo de vinho único Português é o Vinho Madeira. À semelhança dos anteriores, também este está intimamente ligado às trocas comerciais com outros países. O Vinho Madeira é um vinho licoroso produzido na Região Demarcada da Madeira (Figura nº 27) com a denominação de origem Madeira.

A ilha da Madeira foi descoberta por navegadores Portugueses em 1419. Foi nessa altura que os colonizadores levaram para a ilha as culturas típicas de Portugal continental, tendo a vinha sido uma das culturas que melhor se adaptou ao Terroir da ilha. Não se sabe ao certo quais as primeiras castas a serem plantadas na ilha da Madeira mas há registos, por exemplo, da introdução da casta Malvasia Cândida, em 1450, trazida da região do Minho. Existem ainda registos dos primeiros 25 anos após a descoberta da ilha, sobre as primeiras exportações de vinhos ali produzidos (Figura nº 26) e exportados para países do norte da Europa e presentes nas rotas marítimas dos navegadores Portugueses.

A história do Vinho da Madeira é feita da estreita relação entre os comerciantes portugueses que viajavam nas rotas marítimas para a Índia e para as Américas, daí a sua crescente popularidade nos mercados internacionais. Figura nº 26- Vinhas da Ilha da Madeira

Com o tempo, o Vinho da Madeira, vinho de excelente qualidade, tem marcado presença em momentos marcantes, dos quais destacaria o dia da Declaração da Independência dos Estados Unidos da América, a 4 de Julho de 1776.

No decorrer de uma crescente procura internacional e valorização deste vinho, nascem as técnicas de fortificação (com álcool neutro de origem vínica de 96% de concentração) e de estufagem, datando o uso destas práticas do século XVIII. A fortificação dos vinhos é feita em diferentes momentos da vinificação.

Com mais de 500 anos de história, a história do Vinho da Madeira está ligada à exportação, e a evolução da sua qualidade foi sempre um desafio e uma prioridade para os produtores. Nas viagens de navegação marítima para a Índia, as barricas de Vinho da Madeira eram transportadas na proa dos barcos. As muitas viagens de ida e volta, e as elevadas temperaturas a que estava sujeito com a travessia do Equador, contribuíram para uma evolução qualitativa do vinho, motivo pelo qual se reproduziu o processo de estufagem nas caves de envelhecimento deste vinho. A ilha da Madeira (Figura nº 27) é um arquipélago de ilhas localizadas no Oceano Atlântico entre os meridianos de 35º e 45º de latitude, a 1100 Km de Portugal continental e 600 Km da costa africana. É uma ilha de origem vulcânica. A sua altitude varia desde o nível marítimo até aos 1861m de altitude. A paisagem vitícola insere-se nestas condições extremas, com as vinhas plantadas em socalcos conhecidos por Poios, e sustentadas por paredes de rochas basálticas, muitas localizadas a vários metros de altura acima do nível do mar.

Dos 730 Km quadrados da Ilha da Madeira, apenas cerca de 400 Ha estão plantados com vinha. Estas vinhas surgem em pequenas parcelas com uma área média de 300 m2. Os solos são de origem vulcânica, na sua grande maioria basáltica. Pela sua localização, o clima é marcado por verões quentes e húmidos e invernos amenos. Os níveis de precipitação variam entre os 3000 mm anuais nas regiões mais altas, e os 500 mm nas regiões mais baixas, concentrando-se a grande maioria da precipitação nos períodos de Outono e Inverno.

O Terroir presente na Ilha da Madeira é um património único. As condições de viticultura são marcantes a nível paisagístico, mas importa também aqui ressaltar, tal como na região do Douro, a coragem dos viticultores, que trabalham em condições extremamente difíceis, viticultura heroica.

As castas mais utilizadas na produção do Vinho Madeira são a Tinta Negra (casta de uvas tintas), Cercial, Verdelho, Boal e Malvasia (castas de uvas brancas) existindo no total 21 castas diferentes autorizadas pelo Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira (IVBAM).

Uma das técnicas especificas da produção de Vinho da Madeira é a estufagem, um processo único desenvolvido ao longo dos seus 500 anos de história. A estufagem é o processo de aquecimento do vinho a temperaturas que atingem os 45ºC, durante 3 meses, que permite replicar as condições extremas de temperatura a que estavam sujeitos durante as viagens de barco, às quais se atribui a sua qualidade.

O Vinho da Madeira pode ser classificado em diferentes categorias: Frasqueira, Colheita, Colheita com Indicação de Casta, Canteiro, Indicação de Idade, Reserva ou Velho, Reserva Velha ou muito Velha, Reserva especial, Selecionado, Fino, Solera e Rainwater.

A classificação de Frasqueira é um Vinho da Madeira associado ao ano de colheita e cujo produto resulta da utilização das castas nobres tradicionais. Tem um processo de envelhecimento de pelo menos 20 anos antes do engarrafamento, e apresenta uma qualidade que constar obrigatoriamente dos registos da Adega. Colheita é um Vinho da Madeira de uma só colheita, de boa qualidade, com indicação da data da vindima e com envelhecimento mínimo de 5 anos. A classificação de Colheita com Indicação da Casta é um Vinho da Madeira de uma só colheita, com 100% de uma só casta, de boa qualidade, com indicação da data da vindima e envelhecimento mínimo de 5 anos.

Reserva ou Velho é um Vinho da Madeira em conformidade com o padrão de 5 anos de idade. Reserva Velha ou muito Velha é um vinho em conformidade com o padrão de 10 anos de idade.

A classificação de Reserva Especial correspondente ao padrão de 10 anos com qualidade destacada. Selecionado é um vinho envelhecido no mínimo durante 3 anos, de boa qualidade, com aprovação prévia da respetiva amostra-padrão. Já Solera tem as características de um Vinho da Madeira associado a uma data de vindima que constitui a base do lote, retirando-se anualmente para engarrafamento uma quantidade que não excede os 10% do lote existente e que são substituídos por outro vinho de qualidade.

Rainwater tem as características de um vinho com uma cor entre o "dourado" e o "meio dourado", com grau Baumé compreendido entre 1,0º e 2,5º, de boa qualidade, com aprovação prévia da respetiva amostra-padrão.

Depois desta pequena análise a três estilos de vinhos únicos no Mundo, podemos concluir que a que a sua história está intimamente ligada às exportações e às trocas comerciais com outros países, que acrescenta valor ao produto, não esquecendo o mercado nacional que em muito contribuiu para um equilíbrio na balança comercial (Fonte quadro nº 3). Existe hoje uma razão para que estes estilos sejam continuamente procurados em todo o mundo, e esta está ligada à sua história.

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