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Alentejo

Património Mundial aliado ao Enoturismo

Comecei a idealizar o que vou descrever somente depois de viajar e conhecer um pouco mais do Mundo. Foi então que me apercebi do enorme potencial que Portugal e o Alentejo – Figura nº 29 – possuem como fator para o seu desenvolvimento.

Será difícil a um Português, imaginar o valor que as heranças históricas presentes no dia-a-dia, podem trazer a Portugal e ao Alentejo.

Um bom exemplo é a região de Napa Valley, nos Estados Unidos da América. Apesar desta região - a mais conhecida dos USA - produzir bons vinhos, este país não detém um enquadramento histórico que envolva o consumidor num momento especial, enquanto degusta o seu vinho. Em Portugal isso é possível.

Numa tentativa de (re)criar esse ambiente capaz de suscitar impressões nos consumidores, um conhecido produtor de vinhos de Napa Valley decidiu levar a história aos seus consumidores e, dessa forma, transmitir a mensagem da sua produção e marca (brand) através desse novo conceito. Com esse objetivo em mente, e com algum investimento, viajou até à Toscana, em Itália, onde adquiriu um Castelo que levou para Napa Valley.

Apesar de verdadeira, esta é uma história quase irreal para quem, como nós, vive lado a lado com esse património histórico-cultural riquíssimo. Para os portugueses, os castelos, as fortalezas e as cidades património mundial (classificação UNESCO) são parte integrante da sua realidade.

Contudo, para quem nos visita, eles constituem uma grande mais-valia enquanto elementos distintos e que marcam a diferença. É este património que devemos potenciar na valorização dos nossos produtos, capitalizando-o junto dos que visitam Portugal, Alentejo, quer seja através de uma contextualização histórica do que os envolve, quer da criação, por exemplo, por parte das adegas, de salas de prova nos centros urbanos históricos e em alguns dos seus monumentos. Esta seria uma oportunidade de oferecer ao consumidor uma vivência in loco da cultura patrimonial e vínica.

Um exemplo, já em prática em Chateauneuf-du-Pape, em França, onde o visitante prova e aprecia os diferentes vinhos nas casas medievais transformadas em salas de provas.

No Alentejo, o que existe atualmente são unidades de Enoturismo criadas por um grupo de adegas líder, que, associado às vertentes ambientais, culturais e gastronómicas da região vitícola, constituiu um fator de animação e diversidade da oferta turística nacional. 

Contudo, essa é uma oferta preferencialmente dirigida a um público especializado. Importa pois pensar na procura turística não especializada, ou seja, no grupo de turistas que procura o Alentejo, atraído pelos muitos monumentos históricos existentes - castelos medievais, cromeleques pré-históricos, entre outros - e que ainda não é devidamente explorado pelas adegas.

Na opinião de O’Neil Palmer e Chartes (2002) o Enoturismo – turismo em espaço rural ligado ao vinho e à vinha – é uma área forte e de grande crescimento dentro do turismo. Ele estabelece, sem dúvida, o ponto de encontro com o turista interessado em vinhos. Ou, por outras palavras, ele pressupõe desde logo, o contacto direto do turista com as atividades vitivinícolas, com os produtos resultantes dessas atividades e ainda com todo o património paisagístico e arquitectónico relacionado com a cultura da vinha e a produção de vinho. Mas também a utilização dos espaços históricos urbanos, que são um dos grandes atrativos turísticos, pode não só incrementar o reconhecimento da região como produtora de vinhos, mas igualmente como produtora de outros produtos distintos, artesanais, como são exemplo, entre muitos, o queijo, a doçaria ou a cortiça.

Às adegas do Alentejo deixo o desafio de descobrir o consumidor quando este vive um turismo em família, quando procura e visita o que cada local tem para oferecer do ponto de vista cultural, patrimonial e artístico. Esta é uma boa forma, através das salas de prova que já referi, de dar a conhecer a região, os seus vinhos, e a filosofia e serviços de cada adega.

A grande maioria do turista que visita o Alentejo e Portugal sabe que pode comprar vinhos de boa qualidade. A questão coloca-se para o consumidor de vinhos que visita Portugal pela primeira vez. Será que este sabe escolher um vinho que aprecia sem o ter provado? E o consumidor jovem que ainda não sabe ao certo o seu gosto, nem recorda o nome dos vinhos que lhe despertaram o interesse, como vai adquirir um vinho português sem o provar?

Penso que o Alentejo está pronto para continuar a sua enorme evolução como região produtora de vinhos. Encaro esta região como um “diamante” que possui todas as condições necessárias, quer de posicionamento geográfico, quer de oferta de produtos e experiencias, para conquistar os mercados internacionais, seja quando nos visitam, seja quando nos fazemos representar.

As adegas líderes do Alentejo, muitas delas já presentes em mercados internacionais, ao apostarem na criação de salas de provas nos centros urbanos históricos estão automaticamente a ativar um contacto e um reconhecimento nacional e internacional junto dos consumidores. Acho que o primeiro passo deve ser dado por estas adegas líderes, como exemplo de profissionalismo e modernização da indústria produtora de vinhos. No caso dos pequenos produtores, esta seria uma oportunidade de se igualarem aos melhores e criarem, individualmente ou em associativismo, as suas salas de degustação para os turistas não especializados.

Esta é uma estratégia de marketing corrente em vários países do dito “novo mundo vitícola”, onde as regiões se valorizam como um todo (pela união de todos os produtores), oferecendo aos consumidores a possibilidade de degustarem os seus vinhos e conhecerem melhor os seus serviços. O melhor exemplo que conheci neste campo foi na região de Hemel-en-aarde Valley, perto de Hermanus, na África do Sul, onde um grupo de produtores uniu-se para criar uma rede de salas de degustação, valorizando todas as marcas num ambiente de paisagem selvagem Sul-africana. Esta região é reconhecida por produzir bons Chardonnay’sPinot Noir’s e também Sauvignon Blanc’s, contudo não possui a história do Alentejo para valorizar os seus vinhos. Mesmo sem marcas históricas que lhe conferem o valor secular, como Portugal e o Alentejo (Figura nº 30 ), esta região soube “construir” a sua própria história e assim potenciar o aumento das suas vendas.

O grande desafio que enfrentamos no sector vitivinícola nacional passa pelo conhecimento do país, das regiões, das castas e do próprio valor de marca. As salas de degustação, mencionadas anteriormente, podem fazer toda a diferença na estratégia de marketing dos nossos vinhos.

Estas regiões possuem uma estratégia centrada na personalização e educação do consumidor, oferecendo experiências marcantes para valorizar as suas marcas e motivar as vendas. É assim de extrema importância partilhar o conhecimento da expressão das castas portuguesas, “contar” a história de cada marca, esclarecer sobre como são feitos os Blend’s e dar valor ao Terroir de cada sub-região do Alentejo.

Desta forma, as marcas viajam pelo mundo e mantêm o seu valor através da conquista destes consumidores que serão, no futuro, os seus embaixadores (consumidor ou agente profissional que promove uma marca contando a sua história e dando a conhecer o valor da marca) no seu país de origem. Em suma, o valor da região sairá valorizado no mercado nacional e internacional se for criada a rede de salas de degustação, se potenciar o saber fazer, Savoir Faire de dois milénios de história vitivinícola e se se souber apostar numa estratégia de vendas dos vinhos portugueses no posicionamento do seu preço de mercado.

Para quem já conhece a região do Alentejo seguramente conhece bem a Fundação Eugénio de Almeida e a Adega Cartuxa, uma referência na região e no país.

Fundação Eugénio de Almeida

“A Fundação Eugénio de Almeida - Figura nº 31- é uma Instituição Portuguesa de direito privado e utilidade pública, sediada em Évora, cujos fins estatutários se concretizam nos domínios cultural e educativo, social e espiritual visando o desenvolvimento humano pleno, integral e sustentável da região de Évora.

A primeira fase da vida da Fundação foi marcada pela personalidade de Vasco Maria Eugénio de Almeida, grande mecenas e filantropo, que assegurou a direção efetiva da Instituição até à sua morte, em 1975.

Os objetivos que lhe estão estatutariamente consignados materializaram-se, nesse período, na recriação do Mosteiro da Cartuxa como centro de vida espiritual, na construção do Oratório de S. José orientado para a formação escolar e profissional de milhares de crianças e na criação, em 1964, e manutenção, em colaboração com a Companhia de Jesus, do ISESE - Instituto Superior Económico e Social de Évora que iniciou a restauração da Universidade de Évora e formou centenas de quadros e altos dirigentes de administração pública e privada.

A partir da década de 80 do século XX, após a devolução dos bens expropriados no período da Reforma Agrária, a Fundação iniciou uma fase de relançamento patrimonial e criou uma exploração agropecuária e industrial de referência que visa garantir a autossustentabilidade económica da Instituição e a prossecução dos seus fins, contribuindo para a promoção do desenvolvimento económico e social da região. Neste projeto destaca-se avitivinicultura e a oleicultura, atividades das quais resultam os vinhos produzidos na Adega Cartuxa, entre os quais os emblemáticos Pêra-Manca e Cartuxa, e os azeites produzidos no Lagar Cartuxa.

A consolidação económica e financeira da Fundação permitiu-lhe iniciar, em 2001, uma nova etapa de desenvolvimento de projetos próprios no campo da missão, para além do reforço da distribuição de subsídios e apoios por um leque diversificado de instituições culturais e sociais da Região. Ao longo dos anos, a Fundação tem oferecido uma programação regular de iniciativas em torno da divulgação da arte contemporânea e da música, da promoção do conhecimento, da reflexão e do debate de ideias, e da formação. A preservação e valorização do Património, bem como a qualificação do Voluntariado têm sido áreas preferenciais do trabalho da Fundação ao serviço da comunidade.
Cinquenta e dois anos após a sua criação, a Fundação dá seguimento à obra do seu Instituidor, constituindo-se como um elemento proactivo de convergência e congregação de esforços para o desenvolvimento da região de Évora.

Fonte: Fundação Eugénio de Almeida

O património da Fundação Eugénio de Almeida é constituído por um conjunto de propriedades rústicas no concelho de Évora, e por um grupo de imóveis de grande interesse histórico e cultural situados no centro histórico da cidade Património Mundial da UNESCO, e Lisboa.

Em Évora destaca-se o Páteo de São Miguel, antigo espaço fortificado da cidade, sede da Ordem Militar de S. Bento da Calatrava e da Capitania Mor da Cidade. O seu conjunto arquitectónico inclui o Paço de São Miguel, um dos edifícios mais emblemáticos da História da cidade de Évora e do país, classificado como Monumento Nacional desde 1922, a Ermida de São Miguel, Imóvel de Interesse Público desde 1939, a Coleção de Carruagens, espaço museológico que dá a conhecer a coleção de carruagens que serviram a família Eugénio de Almeida, e o Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida que guarda os fundos arquivísticos e bibliográficos da família Eugénio de Almeida. Aqui se localiza também a sede da Fundação Eugénio de Almeida.

Ao lado do Templo Romano, integrado no conjunto edificado do Palácio da Inquisição e das Casas Pintadas, localiza-se o Fórum Eugénio de Almeida, um espaço vocacionado para a promoção de ações artísticas e culturais orientado pelo compromisso social e por práticas sustentáveis que aposta numa programação multidisciplinar, formativa e inclusiva, concretizada através de exposições, com um foco especial na arte contemporânea, assim como na organização de projetos performativos e de programas pedagógicos orientados para a sensibilização e motivação dos diferentes públicos.

A apenas 2km do centro histórico encontra-se o Mosteiro da Cartuxa, que dada a sua proximidade, está na origem do nome da Adega Cartuxa e da marca Cartuxa. Fundado no final do séc. XVI para acolher a Ordem de S. Bruno, foi encerrado em 1834 e integrado no património da Fazenda Nacional, tendo sido adquirido trinta e cinco anos mais tarde pela família Eugénio de Almeida. Data de 1960 a reinstalação dos monges cartuxos, a convite do Instituidor da Fundação, que com essa finalidade promoveu profundas obras de reconstrução e restauro do edifício.

Detentora de um vasto património histórico edificado, a Fundação já implementou várias intervenções de conservação, restauro e regeneração dos seus edifícios.

Fonte: Fundação Eugénio de Almeida

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