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Alentejo

Adega e Lagar Cartuxa

A história da Fundação acompanha a história política, económica e social do país. Mas também o seu percurso e a sua ação contribuíram para fazer a história de muitas pessoas e instituições e para gerar projetos e acontecimentos que marcaram a vida da região e do país. Uma visão institucional clara, fiel à sua missão, transformou o lucro económico em lucro social e uma gestão inovadora e determinada permitiu alcançar e consolidar a estabilidade económica e financeira, alicerce da sua autossustentabilidade. A área produtiva da Fundação Eugénio de Almeida, em particular o projeto vitivinícola – que desde o séc. XIX faz parte da tradição produtiva da Casa Agrícola Eugénio de Almeida - é sem dúvida um caso de sucesso, permitindo à Fundação gerar os recursos necessários à sua Missão. Com marcas enológicas que são hoje emblemáticas, o projeto vitivinícola da Fundação Eugénio de Almeida é um património ativo da cidade e da região e uma referência no mercado nacional.

Destaca-se assim no projeto da Instituição, a vitivinicultura e a oleicultura, atividades das quais resultam os vinhos produzidos na Adega Cartuxa – Vinea Cartuxa, EA, Foral de Évora, Cartuxa, Cartuxa Reserva, Scala Coeli, Scala Coeli Reserva e Pêra-Manca - e os azeites produzidos no Lagar Cartuxa - Álamos, EA e Cartuxa.

Toda a vinha está plantada na região do Alentejo precisamente na sub-região de Évora, onde se pratica uma viticultura sustentada em prol da biodiversidade, com algumas vinhas já certificadas como biológicas e outras ainda em processo de certificação. Nestas vinhas são cultivadas diversas castas portuguesas preservando o “tesouro ampelográfico” nacional mas também, algumas castas estrangeiras de modo a aumentar a oferta de vinhos. As uvas são vinificadas na moderna e sofisticada Adega Cartuxa – Monte Pinheiros - herdade que foi outrora centro de lavoura da Fundação Eugénio de Almeida. A Adega Cartuxa – Quinta Valbom, antigo posto Jesuíta, onde já em 1776 funcionava um importante lagar de vinho, é, desde 2007, o centro de estágio de vinhos e sede do Enoturismo Cartuxa.

A Adega Cartuxa, Monte de Pinheiros, é uma das mais modernas adegas a nível mundial, construída de forma a maximizar o aproveitamento e força gravitacional em todas as operações realizadas durante o processo de vinificação. Foi a primeira adega em Portugal a possuir o mais avançado e rigoroso método de seleção ótica digital em todas as linhas de receção de uvas, com capacidade de refrigeração da totalidade das uvas recebidas e vinhos aqui elaborados, um laboratório totalmente equipado para análise de vinhos e uma linha de engarrafamento totalmente automatizada e preparada para engarrafar as cerca de quatro milhões de garrafas resultantes da produção anual e que obedece às melhores práticas enológicas.

A realização dos blend’s é uma operação muito difícil e decisiva para determinar a qualidade dos vinhos que aqui são produzidos. A associação das típicas castas portuguesas é uma “arte” que poucos enólogos sabem dominar como os portugueses. Esta é uma grande mais-valia da equipa de enologia da Adega Cartuxa. Ela é pois, uma referência pela sua equipa de profissionais, que diariamente trabalha para elaborar os melhores vinhos. Integram a equipa cerca de 30 pessoas sob a coordenação do Engenheiro Pedro Baptista. De todas as equipas de trabalho de que fiz parte, esta foi a que mais me surpreendeu pelo trabalho de equipa, profissionalismo, aposta na inovação e efetiva resposta a desafios. A dinâmica e empenho da equipa é provavelmente o principal pilar da estrutura da Adega Cartuxa. É uma adega do presente preparada para o futuro, dando o seu salto qualitativo com o Alentejo.

O Lagar Cartuxa é outro exemplo mundial de uma atividade agrícola que respeita o meio natural e o seu Terroir em que está inserido. Tal deve-se à não produção de águas russas, à total automatização do seu processo agroindustrial de produção de azeite e às certificações de qualidade associadas à produção de Azeites Extra Virgens e Virgens de elevada qualidade.

Atualmente a área de exploração do olival da Fundação Eugénio de Almeida é de 215 Ha, onde estão plantadas diversas variedades de Oliveiras típicas de Portugal, tais como, a Galega, Cobrançosa, Cordovil e Verdeal. Estas variedades são separadas no momento da colheita e processamento até à elaboração do azeite. Antes do engarrafamento, a equipa de profissionais do Lagar Cartuxa realiza o blend das diferentes variedades, originando as marcas Álamos, EA e Cartuxa. Este projeto de produção de azeites Extra Virgem da Fundação Eugénio de Almeida tem registado um enorme sucesso, prevendo-se um bom crescimento no futuro.

Os vinhos e azeites comercializados pela Cartuxa são fruto deste projeto agroindustrial que a Fundação Eugénio de Almeida desenvolve há 52 anos. Constituiu também um exemplo a nível nacional de valorização dos produtos portugueses pela sua história e valor qualitativo. A Cartuxa apresenta uma situação equilibrada de vendas a nível nacional e internacional, estando presente em cerca de 17 mercados internacionais em 4 continentes.

A tendência para o futuro será a de manter este equilíbrio mas aumentar o reconhecimento nacional e internacional da marca, fomentando um maior relevo para os produtos de qualidade superior portugueses e criando a imagem de valor associado à marca.

Como tive oportunidade de referir, a Fundação Eugénio de Almeida tem como missão o desenvolvimento da região de Évora procurando, a nível da sua atividade produtiva, apostar em valorizar a sua histórica vitivinícola e a qualidade dos produtos que produz e comercializa em diversos países.

Perante esta realidade, reconheço à Fundação Eugénio de Almeida um trabalho notável na comercialização dos seus vinhos e azeites a nível internacional, sem no entanto descurar o mercado e consumidor nacional.

Recordo da minha infância que nas ocasiões de celebração em família, o meu avô abria sempre uma garrafa de vinho Cartuxa, como pressuposto de um vinho de alta qualidade superior que iria enaltecer aquele momento em família.

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