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LEMBRANÇA

Mercado Sul Coreano

O mercado Sul Coreano é, a meu ver, um mercado bastante sui generis pelo interesse que o consumidor mostra em saber mais sobre a história e origem de cada vinho.

A Coreia do Sul está situada no continente Asiático. Tem cerca de 49 milhões de habitantes (Fonte: http://kosis.kr/eng/ ), e quase a mesma área que Portugal continental. A capital, Seul, é habitada por 10 milhões de habitantes (Fonte: http://kosis.kr/eng/ ), e a área metropolitana por aproximadamente 20 milhões (Fonte: http://kosis.kr/eng/ ). Estamos perante um mercado muito concentrado em torno da sua capital, sendo que o comércio e consumo de vinhos têm como base os 20 milhões que habitam a área metropolitana. É um mercado importante, quer pela concentração de consumidores na mesma área geográfica, quer pela localização estratégica entre a China e o Japão.

A economia Sul Coreana é das 20 economias do mundo mais fortes (Fonte: http://www.koreaherald.com/view.php? ), e por isso mesmo considerada uma capital mundial. Trata-se de uma economia que atrai muitas outras.

O bom posicionamento de uma marca de vinhos neste mercado funciona como uma “montra mundial”, pois a quantidade de consumidores de vinhos que acorre a Seul é muito grande (Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/South_Korea ). Este é um mercado que se comporta um pouco como o mercado Japonês, onde o consumidor gosta de procurar bons vinhos a preços que não sejam demasiado elevados.

No mercado Sul Coreano existem boas companhias de importação que têm as suas próprias redes de distribuição e cuja ação organizada faz com que existam vinhos de todo o mundo. É normal a presença de vinhos dos cinco continentes no mesmo ponto de venda, o que torna a decisão do consumidor mais exigente.

É do senso comum que a relação com a cultura asiática não é tarefa fácil, pelo que a entrada neste mercado exige uma estratégia de comunicação muito bem delineada por forma a conseguir divulgar a informação histórica de cada marca de vinhos e assim atrair a atenção do consumidor, crucial para a promoção da venda. Esta estratégia pode, por exemplo, passar por uma grande sensibilização dos consumidores através das novas tecnologiascomo a Internet, muito utilizadas pelos Sul Coreanos, em particular nos seus dispositivos móveis, M-Marketing. A este fator junta-se ainda a curiosidade natural destes consumidores que procuram, logo de imediato, através das novas tecnologias de que dispõem, encontrar a informação sobre os vinhos que compram, como por exemplo, quem gostou, como foi a prova, quem já comentou e que comentário fez ou quem é o produtor e que informação este disponibiliza na sua página.

Embora exista já uma forte presença de vinhos de todo o mundo neste mercado, os vinhos portugueses não têm ainda uma grande expressão e são desconhecidos da grande maioria dos consumidores. Esta ausência de conhecimento dos vinhos portugueses poderá ser colmatada através da criação de uma estratégia de branding que assente na promoção dos vinhos de Portugal como vinhos de qualidade. A par dos vinhos, também o azeite tem grandes possibilidades de se afirmar neste mercado uma vez que a gastronomia sul coreana é bastante leve e com forte tendência de consumo de produtos da dieta mediterrânea. A estratégia de marketing neste mercado deve pois centrar-se na imagem de qualidade dos produtos portugueses.

Um outro ponto a salientar, como fator a potenciar, é a curiosidade dos mercados asiáticos pela história de Portugal. Existe um fascínio mútuo de conhecimento entre o Oriente e o Ocidente (Fonte: Daily Life in Portugal in the Late Middle Ages). Sabe-se que na época dos navegadores, somente os portugueses tinham permissão de negociar na zona do mar do Japão, pelo que existe uma história secular de comércio entre os dois povos que faz todo o sentido recuperar e exaltar como elo de ligação.

O mercado Sul Coreano comporta-se de forma lenta, estável e duradoura se existir uma boa relação comercial. A grande dificuldade está na forma como o produtor comunica a sua história e marcas ao consumidor final. De referir ainda que neste mercado, a imprensa internacional de vinhos tem um grande peso, marcando tendências. Apesar do seu potencial de crescimento, é importante estabelecer um posicionamento de preço justo versus qualidade do vinho com o importador/distribuidor.

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