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Antecedendo o assunto

A minha relação com Portugal

Esta é uma consideração muito pessoal que gostava de partilhar e que parte da reflexão a duas realidades que encontrei; a realidade interna do nosso país e realidade externa face a Portugal.

Quando se cresce com a cultura portuguesa existe sempre um sentimento de baixa autoconfiança, quer como indivíduos, quer como região ou país. A grande maioria dos portugueses tem tendência a destacar mais o lado negativo da sua vida do que o positivo, acentuando os problemas.

Com a experiência que adquiri nos vários países que visitei, desmistifiquei em mim mesmo esta visão do que é ser português e aprendi a olhar para Portugal de uma forma mais confiante, distinguindo e apreciando o que temos de singular e ajudando a fazer da nossa “marca”, uma “marca” de qualidade. Admito que este reconhecimento ou aceitação de confiança em Portugal, apenas foi possível graças à aprendizagem que colhi da vivência com outras pessoas, cujo ensinamento me fez confiar e a percepcionar as coisas de forma distinta.

Há alguns anos um político português afirmou que uma boa opção para os jovens portugueses seria a emigração, um comentário que lhe custou severas críticas. A análise a este comentário pressupõe o descontentamento por parte dos portugueses para com o seu país, incapaz de absorver os jovens licenciados e de lhes possibilitar a construção de um futuro no seu país. Esta observação é, na minha opinião, fruto da nossa cultura, contudo eu proponho-me encará-la de forma distinta.

Foi a partir dos estágios de vindima que realizei pelo mundo e na continuação do Mestrado do OIV MSc que compreendi que os jovens com elevado nível de qualificação profissional em Portugal, são-no igualmente a nível internacional. À formação nacional é reconhecido um elevado grau de excelência, quando comparada com a realidade de outros países. Embora persista a emigração de jovens licenciados, para mim é chegada a altura de regressar e devolver ao país tudo o que aprendi quando estive fora. Estou certo que o mesmo acontecerá com os restantes jovens que atualmente procuram uma oportunidade profissional em outros países.

Eu encaro a atual conjuntura do país como uma oportunidade para fazer sobressair as nossas qualidades através da aprendizagem mútua com outras culturas. É hoje visível uma evolução a nível da qualificação dos emigrantes. Ao contrário do tempo dos meus avós, em que a emigração estava relacionada com o trabalho no setor primário, hoje, o elevado grau de formação e profissionalização, permite mais e melhores oportunidades de trabalho. Termino esta pequena reflexão sobre o tema com a frase: “Os melhores voltarão pois aprenderam que ao regressar podem oferecer algo de diferente a Portugal e assim evoluir”.

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