Loading...

CARACTERIZAÇÃO DOS ESTILOS DE VINHO PORTUGUESES

Região da Península de Setúbal

Na sequência de recentes escavações arqueológicas, foram encontradas na Península de Setúbal grainhas datadas do século VIII a. C., o que evidencia a antiguidade da cultura da vinha, a qual remonta, por isso, na região, a um período muito anterior à formação de Portugal. Acredita-se que as primeiras castas da região tenham sido trazidas pelos povos Fenícios e Tartessos que, nas encostas da serra da Arrábida e nas zonas planas junto do rio Sado, encontraram um clima ameno e propício ao cultivo da vinha. É uma das regiões vitícolas mais antigas do mundo, habitada por Romanos, Árabes e Portugueses, que cultivaram a vinha com técnicas próprias da sua cultura.

A Península de Setúbal é rodeada pelo oceano Atlântico e pelos rios Tejo e Sado. Situada a sul de Lisboa, é essencialmente marcada pelo turismo e pelas explorações vitícolas. A região pode dividir-se em duas zonas orográficas distintas; a zona Sudoeste, onde o território tem alguns acidentes orográficos causados pelas serras da Arrábida, Rosca e São Luís, com uma altitude que pode variar entre os 100 e os 500 metros de altitude, e a zona mais a sul, de planícies longas e férteis, pela proximidade do rio Sado.

O clima da região da Península de Setúbal (Figura nº 15) é subtropical e mediterrânico, sofrendo fortes influências marítimas, dada a sua proximidade à costa e às bacias hidrográficas do rio Tejo e do rio Sado. Os Verões são quentes e secos e os Invernos amenos e chuvosos. Os solos da região são na sua maioria argilo-arenosos, franco-argilo-arenosos e calcários, com uma alcalinidade que marca bem o estilo de vinhos produzidos.

Esta região é muito reconhecida pela produção de Moscatel de Setúbal, claramente distinto de outros moscatéis mundiais. Com base no reconhecimento deste produto de excelência, foi-se melhorando a qualidade de produção de outros vinhos. Os vinhos produzidos nesta região são muito variados nas castas utilizadas e nos cortes finais e são reconhecidos pela boa competitividade da relação qualidade/preço, facto que pode ser entendido como um fator distintivo para os vinhos de Portugal.

Moscatel de Setúbal é um vinho licoroso onde a fermentação é parada com a adição de aguardente, seguindo um estágio prolongado em barricas, muitas vezes utilizadas no envelhecimento de whisky, o que lhe confere características distintivas.

A utilização das castas moscatéis data da criação da região, quando os povos Fenícios plantaram as primeiras vinhas. Remonta a esse período a plantação, pela primeira vez na região, de Moscatel-Galego-Roxo (casta tinta), Moscatel Graúdo e o Moscatel-Galego-Branco (castas brancas). A produção do Moscatel de Setúbal tem já uma longa história produtiva. Desde os tempos dos Descobrimentos Portugueses que este vinho era transportado de barco para vários destinos, como o Brasil, tendo essas viagens contribuído para a sua evolução qualitativa, dando lugar aos Moscatéis Torna Viajem (Figura nº 16).

Esta é sem dúvida uma região com potencial de exploração por parte dos produtores. Além do método de adição de aguardente e envelhecimento do vinho licoroso em barricas, a utilização destas castas, já perfeitamente adaptadas ao Terroir, aliada à produção de vinhos que viajaram pelo mundo e que são reconhecidos pela sua elevada qualidade, pode ajudar a afirmar a região em mercados mundiais.

« Secção Anterior Próxima Secção »