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CARACTERIZAÇÃO DOS ESTILOS DE VINHO PORTUGUESES

Região do Alentejo

O Alentejo situa-se a sul de Portugal. O começo da atividade vitivinícola nesta região (Figura nº 17) data da ocupação Romana, no século XII, catalogada pela existência de monumentos Romanos ligados à produção e transporte de vinho, como por exemplo as Ânforas. Foram os Romanos que exploraram em maior escala a vinha no Alentejo, transportando os vinhos em barcos, pelo rio Guadiana. Aqui encontraram-se talhas de barro de todos os tamanhos e feitios, algumas chegando a conter 2.000 litros de mosto, com um peso próximo da tonelada e uma altura de quase dois metros. Com o prelúdio do séc. VIII, sobreveio a invasão muçulmana e a subsequente islamização da Península Ibérica. As diferentes tribos ocupantes revelaram diferentes tolerâncias aos hábitos regionais. Especialmente os Almorávidas e os Almóadas arrancaram as vinhas ou sujeitaram‑nas a duros impostos. A cultura do vinho degradou‑se progressivamente, sendo nalguns casos abandonada.

Com a Reconquista, após a fundação do reino Lusitano, estabilizou‑se a cultura e os monges recuperaram muitas vinhas. Já no séc. XVI, a vinha florescia como nunca no Alentejo, dando corpo aos ilustres e aclamados vinhos de Évora como o Pêra-Manca, bem como aos vinhos brancos de Beja e aos “palhetes” do Alvito, Viana e Vila de Frades.

A primeira crise foi provocada pela Guerra da Independência. Em meados do séc. XVII, os vinhos do Alentejo ganharam maior fama e prestígio em Portugal. No tempo dos tratados de Methuen, a superfície vitícola expandiu‑se acima de 100.000 ha. No entanto, devido à paz entre a França e a Inglaterra e ao esquecimento do referido tratado pelos negociantes ingleses, ocorreu nova crise. O Marquês de Pombal, devido aos seus interesses no Douro, mandou arrancar as vinhas alentejanas. Em meados do séc. XIX houve tentativas para as recuperar.

A região do Alentejo tem sofrido uma transformação assinalável nos últimos 50 anos, passando de uma viticultura tradicional e pouco eficiente, para uma viticultura moderna e altamente modernizada, bem expressa nas adegas da região. Durante os anos 70 e 80 o Alentejo iniciou uma fase de modernização com a introdução de mudanças nas vinhas e nas castas plantadas, tornando-se uma região produtora de vinhos a preços bastante competitivos.

Entre outras medidas, edificou‑se em 1885 a primeira Adega Social de Portugal, em Viana do Alentejo. “Com a criação do PROVA (Projecto de Viticultura do Alentejo), em 1977, foram criadas as condições técnicas para a implementação de um estatuto de qualidade no Alentejo, reforçadas pela ATEVA (Associação Técnica dos Viticultores do Alentejo), fundada em 1983, e pela CVRA (Comissão Vitivinícola Regional Alentejana), em 1989.

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