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LEMBRANÇA

Mercado dos Países Escandinavos

Os países escandinavos situam-se no norte da Europa e abrangem a Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia. Este conjunto de países, embora com comportamentos de consumo um pouco semelhantes, apresenta algumas diferenças, pelo que a minha análise será feita na globalidade, destacando, sempre que necessário, alguns casos particulares.

Os países escandinavos têm no total cerca de 25 milhões de habitantes, 9,556 milhões dos quais são suecos, 5,4 milhões dinamarqueses, finlandeses e noruegueses, e 320 mil islandeses. Apesar de a população escandinava não ser numerosa, o número de habitantes que consome vinhos é bastante relevante, com uma média de 8/10 indivíduos adultos consumidores.

Alguns países deste grupo funcionam com um sistema de monopólio no comércio de vinhos e bebidas alcoólicas, designadamente a Dinamarca, a Suécia e a Finlândia. Ambos os sistemas são regulados pelo Estado de cada país, permitindo fazer negócios a preços bastante competitivos. Para um produtor, esta é uma garantia de valor uma vez que existe um forte controlo nas compras feitas pelos diversos importadores e o cumprimento dos pagamentos ao preço estabelecido.

Uma vez que existe um forte conhecimento das marcas presentes entre mercados, os fornecedores dos mercados escandinavos devem adotar a mesma estratégia comercial para evitar conflitos entre os mercados. A estratégia de posicionamento será tanto melhor quanto for equacionada em conjunto por todos os países.

O consumidor escandinavo está habituado a ter nas suas lojas vinhos de todo o mundo, a preços justos, e com uma gama alargada dentro da mesma região. Os países escandinavos são dos mercados mundiais de vinhos onde o consumidor possui mais e melhores opções de escolha, dado o seu interesse por vinho de todo o mundo.

Os hábitos de consumo são bastante diferentes dos nossos. Estima-se que o consumidor escandinavo consuma vinho uma hora após a compra do mesmo. Isto mostra que os consumidores escandinavos, numa vasta maioria, são consumidores de ocasião. Por este motivo, o posicionamento de vinhos com uma qualidade média, associada a um preço de mercado baixo médio, é uma mais-valia para a venda de grandes quantidades nestes países.

Portugal é um país conhecido pelos escandinavos, em particular pelos noruegueses, com quem temos estreitos acordos comerciais e partilhamos vantagens comerciais bilaterais. Ainda assim, a presença de vinhos de todo o mundo nos mesmos espaços comerciais não facilita a identificação por parte do consumidor do país produtor ou do estilo de vinho, o que implica, à semelhança de outros mercados, que também aqui é crucial apostar numa comunicação que destaque os traços diferenciadores dos vinhos nacionais para criar a imagem de qualidade associada às nossas marcas. De um modo simples, o consumidor português associa a qualidade do bacalhau à sua origem norueguesa. A estratégia a seguir para os vinhos portugueses deve conseguir impulsionar resultados semelhantes face à origem Portuguesa.

É ainda de salientar que os países escandinavos possuem um elevado nível de escolarização, pelo que é quase elementar apostar na formação do consumidor sobre os vinhos portugueses, dando exemplos de como poderão ser servidos, em que situações, ou qual o melhor acompanhamento em função da opção gastronómica. O elevado grau alcoólico de alguns vinhos portugueses pode merecer neste mercado uma atenção particular uma vez que estamos perante consumidores exigentes com as questões relacionadas com a saúde. É também um fator decisivo no momento final de compra, o sistema de certificação, em particular certificação de sustentabilidade, certificação biológica, pegada de carbono ou certificação de biodinâmica. As preocupações relacionadas com a saúde e com o meio ambiente são de tal forma importantes nestes países que uma estratégia de marketing centrada nas questões ambientais é essencial para influenciar o consumidor, muitos dos quais optam por embalagens mais leves que o vidro e outros materiais, desde que recicláveis ou com uma vida útil mais longa.

Por ser um país já conhecido dos consumidores escandinavos, com uma forte imagem enquanto destino turístico, Portugal tem nestes mercados a oportunidade de posicionar vinhos agradáveis a preços competitivos, podendo, num futuro próximo, atrair os consumidores escandinavos a visitar o nosso país. Este grupo de países é também responsável por uma importante fatia de turistas no nosso país.

Dada a proximidade de mercados, a maior parte dos importadores a trabalhar nestes mercados está presente em vários países, o que pode constituir um bom ponto de partida para um branding escandinavo em vários países em simultâneo.

Se olharmos de forma mais detalhada para cada mercado encontramos algumas diferenças estratégicas. A Dinamarca, por exemplo, é o país escandinavo que mais se diferencia dos outros quer por ostentar uma economia forte, com uma visível cultura gastronómica, quer pelo incontestável crescimento no consumo de vinhos de maior qualidade, não só a nível da restauração, mas também do consumo privado.

A Finlândia é acima de tudo um mercado estratégico pela sua localização fronteiriça entre o espaço da comunidade europeia e a Rússia. É ainda um importante consumidor de vinhos competitivos, apresentando um baixo consumo por pessoa e um consequente potencial de crescimento.

A Suécia é um país forte economicamente e o consumo de vinhos está associado a hábitos alimentares saudáveis. O posicionamento de boas gamas médias a preços competitivos marcará a diferença neste mercado.

Diz-se dos países nórdicos que são um exemplo civilizacional onde se exalta a excelência da qualidade de vida, a prosperidade eobem estar social. Com uma classe média bastante forte, estes países apresentam fortes índices de desenvolvimento.

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