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O CAMINHO JÁ PERCORRIDO

O porquê da valorização e importância do vinho na sociedade

Por vezes é difícil e quase incompreensível entender o elevado preço de um determinado vinho ou até mesmo o valor sentimental que uma garrafa pode representar.

Como já disse, o vinho é um produto venerado e estimado desde a sua criação, existindo inclusive em alguns mercados uma ligação mitológica que decorre na designação de “néctar dos deuses”.

O vinho, como é explicado na definição de Terroir, é um produto caraterizado pela ação humana. É a intervenção humana que define a qualidade, sabor, cheiro e evolução do produto final. Existem várias características que podem ser atribuídas à valorização dos vinhos. A valorização dada pelo Terroir - que cria a referência de qualidade na marca de vinho - é a que eu defendo para os vinhos portugueses.

No mercado global de vinhos a valorização dos vinhos é feita, na sua maioria, pelas marcas dos vinhos. É esta, a par do país produtor, região de origem, produtor, castas, notas de críticos de vinhos ou prémios em concursos, que detém o poder de valorizar o produto e que influencia o preço final de uma garrafa. Muitos consumidores associam os vinhos franceses a vinhos de qualidade. Uma imagem que tem conseguido afirmar-se ao longo da história do país e faz dele um bom exemplo de gestão na valorização dos seus produtos.

Os vinhos portugueses ainda não atingiram esta qualificação a nível da sua imagem. Na minha opinião, os agentes produtores e comerciais de vinhos portugueses têm primeiramente que perceber o real valor dos vinhos nacionais para, em conjunto, definir uma estratégia de valorização do seu produto como país, região ou terroir, junto do consumidor.

As regiões produtoras de vinhos são valorizadas em função dos vinhos dos seus produtores, o que significa que se trata de um trabalho de equipa no qual os produtores “concorrentes” se entreajudam para valorizar os seus produtos. Por este motivo as regiões tornam-se famosas no comércio de vinhos, com produtores a abrir caminho a outros, dando-lhes a oportunidade de continuar a valorização dos vinhos dessa região. Bons exemplos da valorização dos vinhos por região são a Borgonha (França), Barolo (Itália), Nappa Valey (USA) e o Douro (Portugal).

No nosso país ainda é evidente a dificuldade de comunicação e entreajuda entre produtores.

Uma barreira que deverá ser ultrapassada para conquistar o objetivo global de engrandecer os vinhos da região.

Muito em voga no atual mercado mundial de vinhos estão as classificações atribuídas pelas publicações ou críticos de vinho, o que leva os produtores a enviar os seus vinhos para apreciação por parte dos referidos críticos na expetativa de obter um comentário positivo que os ajude a promover as vendas. Trata-se de uma forma de valorizar os vinhos não muito justa. Em primeiro lugar porque representa a opinião e gosto pessoal do crítico ou do painel de críticos que integram a publicação especializada, e em segundo porque muitas das garrafas enviadas para estas provas são amostras criadas especificamente para este efeito, não correspondendo assim ao que o consumidor encontra no ponto de venda. Embora se perceba que para o consumidor este parecer possa marcar a diferença na compra de uma ou outra garrafa, não é de todo, a meu ver, a melhor forma de valorizar o produto. Considero que o consumidor é o melhor opinon maker de uma marca.

A sua opinião sobre um determinado vinho é sempre mais valorizada junto dos seus amigos do que a opinião de um crítico que desconhecem. Um exemplo da importância do consumidor na afirmação de uma marca encontra-se, por exemplo, no caso de marcas que são muito expressivas num mercado, suportando as especulações dos agentes comerciais, e totalmente inexpressivas em outros. Tudo se deve ao gosto do consumidor. É ele que fomenta a procura de um determinado vinho, o que significa que as marcas de vinho são valorizadas ou desvalorizadas dependendo do comportamento de consumo de cada mercado. O valor do vinho é realmente alcançado quando a este estão associados momentos especiais de consumo, ou seja, quando é partilhado e celebrado em conjunto pelos consumidores.

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