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Antecedendo o assunto

O Presente e o Futuro de Portugal

Partindo da análise dos quadros do Instituto da Vinha e do Vinho Português (IVV), Portugal (Figura nº 4) vive atualmente, 2015, uma situação de estabilidade na produção de vinhos. Nos últimos 10 anos, a sua produção tem registado valores estáveis, sem grandes oscilações.

A produção de vinhos de Denominação de Origem Protegida (DOP) registou uma queda na última década, mesmo com o ano de 2000 a inverter esta tendência. Os vinhos com a certificação de Indicação Geográfica Protegida (IGP) têm mantido estável a sua produção (Fonte Quadro nº 2).

Apesar da normalidade das oscilações nos diferentes anos, por razões climatéricas, a tendência é de uma aparente estabilização (Fonte Quadro nº 2).

Nos últimos quatro anos verificou-se um enorme aumento na produção de vinhos identificados com o ano ou castas, passando de uma base de zero, ou sem dados disponíveis, para 27,000 hectolitros (Fonte Quadro nº 2). No mesmo quadro (quadro 2) é-nos dado verificar a existência de uma pequena diminuição na produção de vinhos sem denominações DOP ou IGP que, embora ligeira, pode ser um fator a considerar no futuro.

De um modo geral a produção de vinhos em Portugal pode ser caraterizada por uma estabilidade no volume de hectolitros produzidos anualmente e uma ligeira diminuição nos vinhos qualificados com DOP, o que representa, na minha opinião, um erro estratégico pois a aposta deve passar pelos DOP e não pelos IGP, como tem acontecido na última década.

Como se verifica pelo gráfico, houve um enorme aumento na produção de vinhos segundo as normas de certificação entre 2000 e 2006, sendo sucedido de um ligeiro decréscimo (Quadro-2).

Presentemente, a maioria da produção de vinho é realizada por empresas não associativas, embora se registe uma grande oscilação entre a produção de vinhos por empresas associativas e não associativas. Em valores percentuais, entre 2000 e 2004, as empresas associativas (em grande parte as cooperativas) eram responsáveis pela produção da maioria do volume dos vinhos portugueses, contudo, desde 2005 que esta tendência se inverteu, com as empresas não associativas a registar a maior produção de vinhos nacionais. Este fato revela bem a estratégia de rigor na qualidade dos vinhos portugueses e a aposta na especialização e formação dos profissionais do sector vitícola. 

Também em valores percentuais as empresas não associativas representam a maioria da produção de vinhos com denominações DOP e IGP, contrariamente às empresas associativas que representam a maioria da produção de vinhos sem qualquer denominação.

A análise ao quadro 2 permite-nos avaliar a produção de vinhos a nível nacional, embora seja de considerar que muitos dos dados apresentados estão sujeitos às variações climáticas de cada ano.

Entendo que, num futuro próximo, os valores de produção das empresas associativas se estabilizem nos valores presentes e que assim possam representar uma boa percentagem da produção nacional, contudo é de suma importância que as empresas associativas alterem a sua estratégia de comercialização dos vinhos. Atendendo a que a maioria dos vinhos sem qualquer tipo de certificação ainda provém deste sector de empresas de produção, num caminho para a qualidade e valorização das mesmas empresas, seria mais profícuo optar pela sua certificação, adaptando cada caso ao tipo de certificação, controlo de qualidade e em função da estratégia de cada empresa. Do meu ponto de vista é fundamental que, num futuro próximo, as empresas associativas reúnam as condições para comercializar vinhos com as suas marcas com denominação de qualidade.

Quanto às empresas não associativas, existe a tentação de criar vinhos que fogem à tipicidade do nosso país uma vez que estes respondem à procura dos consumidores internacionais, que identificam facilmente as castas mais populares, contudo, esta visão, representa uma perda na riqueza identitária vitivinícola portuguesa.

A aposta na riqueza nacional de castas é sobremaneira importante quando se caminha para a especialização em produtos únicos no mundo, com castas singulares e associações de castas que só são possíveis de obter no território português. Com a evolução dos diferentes mercados internacionais, a meu ver uma globalização do consumo de vinhos, o futuro dos vinhos portugueses afigura-se bastante positivo se forem tidos em consideração fatores como os padrões de qualidade - já reconhecidos a nível mundial – e a comercialização de vinhos em quantidades limitadas, com características únicas e distintivas, como por exemplo as castas, associando ainda a estas a componente histórica da região de onde provêm, como são os exemplos as regiões Bucelas, Dão, Açores e Madeira.

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