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O QUE HÁ AINDA A FAZER

Certificações

O ato de certificar nasce da necessidade de atestar um facto, asseverando a sua veracidade, qualidade e credibilização através das normas e políticas legais da respetiva autoridade de certificação.

A importância e valor da certificação deve ser entendida pelo produtor e consumidor como um benefício pois ela indica que os produtos, processos, sistemas ou serviços estão em conformidade com as regulamentações e normas nacionais ou internacionais. Perante a necessidade de certificar as técnicas utilizadas, as castas, as regiões, a filosofia de produção, os conceitos ou outros valores inerentes ao vinho, dando-lhe a garantia que precisa, em qualquer lugar do mundo, passo a indicar as certificações que podem valorizar o produto final.

Já aqui referi a Denominação de Origem Controlada ou DOC, a certificação que assegura a origem e qualidade do vinho. A obtenção desta certificação é atribuída pelas diferentes comissões vitivinícolas regionais que controlam um determinado território geográfico asseverando fatores como: de onde provêm as uvas, o tipo de solo, as castas utilizadas, as práticas culturais, os métodos de vinificação, o teor alcoólico mínimo natural, o rendimento por hectare, as práticas enológicas permitidas, ou as análises físico-químicas e organoléticas. Mas esta certificação significa também uma proteção da cultura de cada região pois permite preservar a plantação das castas em função do terroir da região e respeitar os métodos tradicionais de elaboração de vinho.

A certificação da produção biológica dos vinhos está legislada a nível europeu avalizando que se cumprem os objetivos e princípios comuns a todos os países e que se produz de acordo com padrões de produção rigorosos. Esta certificação cabe às entidades locais de cada região e às comissões vitivinícolas regionais. Trata-se de um processo que procura atestar a produção de vinhos de elevada qualidade, com práticas culturais sustentáveis que garantem o equilíbrio do ecossistema. A utilização de métodos preventivos e culturais de compostos naturais aumenta a qualidade do solo e da vinha e a consequente qualidade no produto final. Esta certificação impede a utilização de agentes químicos de síntese, como os adubos ou fertilizantes durante todo o processo de elaboração dos vinhos, bem como o uso de agentes geneticamente modificados. Ela constitui assim, um importante contributo para a melhoria da sustentabilidade da produção, dando em simultâneo uma resposta de segurança alimentar e de preferência por produtos de qualidade aos consumidores com preocupações ambientais.

A certificação de vinhos biodinâmicos é da exclusividade da empresa Dementer a quem cabe controlar e certificar todos os produtos. A biodinâmica tem por base as teorias e conceitos da medicina antroposófica de Rudolf Steiner (1924). Os fundamentos da biodinâmica visam respeitar as diferentes forças do universo, promovendo a biodiversidade nas suas culturas e um equilíbrio sustentável do meio ambiente e terroir através da não utilização de agentes físico-químicos artificiais. Como outras práticas, a cultura biodinâmica promove o equilíbrio do ecossistema com particular atenção ao calendário astrológico biodinâmico e à utilização de compostos específicos mantendo a preocupação constante da preservação do equilíbrio.

É cada vez maior a importância que a sociedade atribui às certificações de sustentabilidade. Estas práticas têm em consideração uma responsabilidade ambiental, social e económica que conjugadas reforçam a qualidade de vida. A certificação de sustentabilidade mais conhecida é a Fair Trade, que procura aproximar o consumidor da responsabilidade social do produtor e garantir a qualidade de vida dos profissionais. Destaco ainda o certificado ecológico denominado de “pegada de carbono” ou “pegada ecológica”, que mede a quantidade de dióxido de carbono produzido diariamente e a forma como essas emissões de gás influenciam o meio ambiente.

O estudo desse impacto ecológico é interessante numa ótica global de sustentabilidade para definir estratégias ou práticas culturais futuras de diminuição da produção de gás de estufa, com o objetivo último de menorizar a produção de dióxido de carbono a zero.

As certificações de qualidade alimentar como o HACCP (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controlo) e a ISSO, têm na sua base uma metodologia preventiva, com o objetivo de evitar riscos que possam causar danos aos consumidores, através da eliminação ou redução de perigos, de forma a garantir que não são colocados à disposição do consumidor alimentos não seguros. Este tipo de certificação vem garantir aos consumidores que os produtos certificados nestas normas foram elaborados respeitando as diferentes exigências de qualidade alimentar. A segurança alimentar que estas certificações acreditam são feitas com o controlo eficaz da higiene dos produtos alimentares para assegurar o consumidor de que o produto que compra é saudável e não lhe irá prejudicar a saúde.

Uma certificação ainda bastante desconhecida em Portugal é a chamada “viticultura heroica”, aquela que resulta das características especiais que a produção exige, ou seja, das difíceis e árduas condições de trabalho em vinha. Esta certificação internacional é da exclusividade do Centro di Ricerca, Studi, Salvaguardia, Coordinamento e Valorizzazione per la Viticoltura Montana (CERVIM) e certifica vinhos que provêm de vinhas com uma inclinação superior a 30%, mais de 500m de altura, ou plantadas em terraços de difícil acesso que exigem um esforço extraordinário por parte dos viticultores. Este trabalho heroico aumenta o terroir da região e o valor patrimonial dos vinhos destas regiões. Em Portugal os exemplos mais comuns encontram-se na região do Douro, Açores e Madeira.

Existem, obviamente, muitas outras certificações para além das que aqui apontei, mas as que referi representam, a meu ver, as que melhor contribuem para uma estratégia de valorização dos terroir’s de Portugal.

Embora o processo de identificação do que deve ser certificado pelo produtor ou agente comercial seja difícil, a certificação é uma ferramenta estratégica no plano de vendas e comunicação de um negócio, pelo que deve ser considerada. Também o consumidor deve ser informado das rigorosas normas inerentes à certificação para poder reconhecer a filosofia de produção a que o vinho foi sujeito e o seu respetivo valor.

Dentro da lógica de valorização dos terroir´s português, acredito que há muito a melhorar a nível das certificações para o reconhecimento nacional e internacional dos vinhos, quer promovendo os viticultores “heróis”, quer a certificação biológica de alguns vinhos, o trabalho com castas únicas ou a utilização de práticas sustentáveis pelos produtores.

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