Loading...

CONCLUSÃO

Conclusão

A concluir esta minha dissertação de Mestrado, uma certeza ressalta: os vinhos portugueses são ainda desconhecidos para a maioria dos consumidores mundiais. Na realidade, excluindo a época dos “Descobrimentos”, a globalização do consumo de vinho não teve um bom acompanhamento por parte dos vinhos portugueses. Existe por conseguinte um importante trabalho a desenvolver junto dos consumidores internacionais em torno do reconhecimento da identidade, imagem e qualidade dos vinhos nacionais, associado quer à riqueza do património vitícola nacional e à produção de vinhos de qualidade, quer à riqueza histórica e cultural do país.

Portugal é um país rico em regiões vitivinícolas e com uma forte tradição de consumo de vinho, sendo por isso crucial dar a conhecer o seu Terroir como impulsionador do posicionamento e valorização dos vinhos junto do consumidor.

Com uma forte estratégia de comunicação nos diversos mercados mundiais, os vinhos portugueses podem chegar a ocupar uma posição de relevo, principalmente quando se sabe o quão fácil é reconhecer a boa qualidade média dos vinhos portugueses.

Com a entrada de mais vinhos nacionais de qualidade nos mercados mundiais, abre-se o caminho para a criação de tendências no consumo de vinhos portugueses, o que, a avaliar pelos comentários positivos de críticos de vinho de todo o mundo, começa já a ser uma realidade. Este é pois um bom arranque para a valorização do capital das marcas de vinhos nacionais.

A elaboração desta dissertação de Mestrado resulta das diferentes experiências que reuni ao longo do meu percurso profissional, quer a nível nacional, quer internacional.

Desde 2013 que exerço funções na Fundação Eugénio de Almeida, o que me tem permitido criar e fortalecer profundas relações com diversos agentes do mercado de vinhos em Portugal. Acredito que todos os pontos que exponho na minha dissertação poderão ajudar a superar o Challenge para os vinhos de Portugal, contudo, e após dois anos e meio inserido na “malha” profissional dos vinhos em Portugal, afigura-se notório que o maior desafio que enfrentamos se encontra ao nível da gestão e eficácia dos recursos humanos.

Como tive oportunidade de referir, a geração Millennial representa uma grande oportunidade para as empresas portuguesas obterem sucesso e desenvolverem as suas atividades económicas em prol do valor das suas marcas e/ou serviços.

Com base na minha experiência profissional, verifico que as empresas portuguesas não estão ainda preparadas para tirar o máximo partido das capacidades dos Millennials, perdendo assim a oportunidade de capitalizar o conhecimento que esta geração adquiriu em tão pouco tempo,adquirido em diversas experiencias internacionais, e que pode, verdadeiramente, significar um “salto” qualitativo na vida da empresa, cadeia de valor de uma empresa (por exemplo: http://www.actinnovation.com/innobox/outils-innovation/analyse-chaine-de-valeur). 

É necessário que as empresas assumam as aptidões dos Millennials nas suas estruturas e lhes facultem ferramentas de responsabilidade às quais eles estão capacitados a responder com sucesso.

Porque não poderia um jovem ser o enólogo residente de uma grande casa?

Porque não poderia um jovem ser o responsável de exportação de marcas que valem milhões de euros?

Neste setor tão complexo, com profissionais com distintos backgrounds, lamento observar os excessivos patamares de hierarquia que são impostos pelos títulos de engenheiro ou doutor - que habitualmente não aceitam trabalhar no mesmo quadro/escalão?? que os Millennials – que em nada favorecem a atividade económica das suas empresas.

A diferença de pensamento existente entre a geração X, que valoriza os títulos e diplomas, e a geração Millennials, a da era digital, do coletivo e da criatividade, poderia, a meu ver, ser potenciada pelas empresas se estas perceberem como beneficiar das diferenças entre ambas.

Admito que possa não ser fácil a um diretor de uma empresa portuguesa apostar de imediato num jovem para ocupar uma posição de relevo, quer pela sua jovialidade, quer pela falta de experiência comprovada no mercado de trabalho.

Contudo, é com naturalidade que observo o enorme sucesso que alguns jovens Millennials têm nas suas “casas”, marcando um passo decisivo no progresso empresarial. São os Millennials como a Mafalda Vasques - Herdade dos Grous, Ana Almeida - Quinta do Noval, Ariana Ramalho - Herdade do Menir, Joana de Freitas - Casa Ermelinda de Freitas, Magnólia Ramos - Adega Mayor, Bianca Oliveira – Paulo Laureano Vinus Lda, Lisandra Gonçalves – Madeira Vintners, Pedro Branco - Quinta da Foz, João Roquette - Quinta do Vallado, André Ribeirinho - Adegga, Luis Patrão - Herdade do Esporão, Francisco Sendas – AEP, João Loureiro – Chateau La Fleur de Bouard ou Carlos Raposo - Niepoort, entre tantos outros, que mostram que a atual conjuntura apresenta uma oportunidade para as empresas portuguesas apostarem nos jovens que saíram de Portugal para adquirir know-how.


Concluo esta dissertação de Mestrado OIV MSc com a motivação e expetativa de conseguir superar os desafios apresentados e descritos no “Challenge para os vinhos de Portugal”.

« Capítulo Anterior Próximo Capítulo »